
Em 28 de janeiro, no Fórum Ferroviário Europeu realizado no Parlamento Europeu, em Bruxelas, a Associação da Indústria Europeia de Fornecimento Ferroviário (UNIFE) emitiu um aviso urgente: caso a União Europeia não continue a financiar programas conjuntos de investigação ferroviária, a cadeia de fornecimento ferroviária europeia enfrentará um sério risco de perda de competitividade global.
A UNIFE salientou que, embora as políticas atuais da UE enfatizem fortemente a competitividade industrial e a autonomia estratégica, uma lacuna de financiamento após a conclusão do atual programa «Europe’s Rail Joint Undertaking» minaria gravemente a posição da Europa na indústria ferroviária global. Comparativamente a alguns países fora da UE que oferecem apoio estatal contínuo para impulsionar os seus setores nacionais de fabricação ferroviária, a Europa deve basear-se em parcerias público-privadas de investigação ao nível da UE para manter sua liderança tecnológica no setor ferroviário.
Para enfrentar esse desafio, a UNIFE propôs um quadro claro de financiamento: cerca de €3 bilhões provenientes do próximo Programa-Quadro da UE para Pesquisa e Inovação (FP10, 2028–2034), somados a até €15 bilhões do Fundo Europeu de Competitividade, dedicados à pré-implementação em larga escala de tecnologias ferroviárias maduras. O financiamento total ascenderia a €18 bilhões. Essa iniciativa tem como objetivo acelerar a transição das inovadoras tecnologias ferroviárias da fase de pesquisa para a aplicação generalizada na rede ferroviária europeia.

Notavelmente, projetos anteriores de investigação ferroviária financiados pela UE produziram resultados fundamentais, incluindo tecnologias essenciais como o Sistema Futuro de Comunicação Móvel Ferroviária (FRMCS) e o Acoplamento Automático Digital (DAC). O FRMCS impulsionará a adoção de sistemas de comunicação sem fio de nova geração para substituir a atual tecnologia GSM-R, enquanto o DAC foi concebido para melhorar a automação e a eficiência do transporte no setor ferroviário de mercadorias. Essas tecnologias constituem uma base crucial para a vantagem competitiva da Europa no mercado ferroviário global.
O fórum reuniu representantes de diversas instituições da UE, incluindo membros do Parlamento Europeu, funcionários do gabinete do Comissário Europeu para o Transporte Sustentável e o Turismo e o Diretor Executivo da Empresa Comum Europeia Ferroviária. A UNIFE salientou que a cadeia de fornecimento ferroviária europeia apoia cerca de 650.000 empregos em setores-chave, como a fabricação de material circulante, os sistemas de sinalização e o fornecimento de equipamentos ferroviários. Apenas mediante investimentos contínuos em investigação, desenvolvimento e implementação tecnológica poderá o setor manter a sua vitalidade e garantir a posição competitiva a longo prazo da Europa no mercado ferroviário global.